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Pais abusivos: as dificuldades na relação familiar


Julia Thaís Porciúncula Serra


A palavra abusivo vem de exagero e, no contexto deste artigo, trata-se situação de desrespeito no cuidado com o filho, de tal maneira, que possa anulá-lo. Ou você se preocupa demais ou você está sendo abusivo, como diferenciar? O abuso familiar pode ser visto como o abuso psicológico e físico e, neste artigo, abordaremos a questão psicológica.


O abuso sentimental, o abandono familiar, a pressão e a cobrança que pais colocam em seus filhos, são algumas das muitas situações que podem, de alguma maneira, afetar o emocional de parentes e familiares. A palavra abuso tem um amplo significado, podendo ir de maus tratos até uma criança que é bem vestida e bem tratada, porém, que não recebe amor e aprovação.


775. Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família? “Uma recrudescência do egoísmo.” (KARDEC, 2022, p. 282).


A Doutrina Espírita nos explica que existem diversas formas de obsessão, dentre elas, a auto-obsessão e a obsessão entre encarnados. Isso significa, portanto, que pode haver obsessão entre pais e filhos. Por quê?


Porque o relacionamento entre pais e filhos são planejados e estruturados a partir do Plano Espiritual, sempre com provas e expiações que visem que aqueles indivíduos busquem e aprendam. A família sempre é formada por membros que precisam buscar algo juntos, com união, independente dos laços familiares terem ou não sido formados em outras encarnações. Muitas vezes, nós mesmos escolhemos em qual posição vir e a qual família retornar.


O lar familiar é o primeiro relacionamento que encontramos na Terra. Quando vivemos uma relação abusiva, é possível que reproduzamos estas atitudes e que igualmente nos tornemos abusivos. Não raro, ao viver com pais abusivos, o filho se torna introvertido, reconhecendo como amor apenas aquele que nos suga e, muitas vezes, pode-se repetir este comportamento numa futura relação, estabelecendo um ciclo vicioso e agressivo.


892. Quando os filhos causam desgostos aos pais, não têm estes desculpa para o fato de lhes não dispensarem a ternura de que os fariam objeto, em caso contrário? “Não, porque isso representa um encargo que lhes é confiado e a missão deles consiste em se esforçarem por encaminhar os filhos para o bem (582-583). Demais, esses desgostos são, amiúde, a consequência do mau feitio que os pais deixaram que seus filhos tomassem desde o berço. Colhem o que semearam.” (KARDEC, 2022, p. 319).


Há casos em que, simplesmente, o filho não gosta da mãe ou do pai, e vice-versa, ou não conseguem estabelecer laços de amor e carinho. Na Espiritualidade, podem ser desafetos de uma vida passada. Assim, uma família é considerada tóxica quando tem comportamentos que podem atingir outros membros e expô-los a situações de sofrimentos emocionais.


390. A antipatia instintiva é sempre sinal de natureza má? “De não simpatizarem um com o outro, não se segue que dois Espíritos sejam necessariamente maus. A antipatia, entre eles, pode derivar de diversidade no modo de pensar. À proporção, porém, que se forem elevando, essa divergência irá desaparecendo e a antipatia deixará de existir.” (KARDEC, 2022, p. 171).


Os desentendimentos podem ser frequentes por uma questão de conflitos de interesses, além de pouca comunicação e falta de respeito. O distanciamento também pode ser uma característica, pois não há uma inclinação verdadeiro ao fortalecimento do vínculo afetivo, às vezes, por dificuldades em lidar com as próprias emoções. Além disso, também há casos de inversão de papeis e até de manipulação emocional.


891. Estando em a Natureza o amor materno, como é que há mães que odeiam os filhos e, não raro, desde a infância destes? “Às vezes, é uma prova que o Espírito do filho escolheu, ou uma expiação, se aconteceu ter sido mau pai, ou mãe perversa, ou mau filho, noutra existência (392). Em todos os casos, a mãe má não pode deixar de ser animada por um mau Espírito que procura criar embaraços ao filho, a fim de que sucumba na prova que buscou. Mas, essa violação das leis da Natureza não ficará impune e o Espírito do filho será recompensado pelos obstáculos de que haja triunfado.” (KARDEC, 2022, p. 319).


Lembrarmo-nos de fatos de nossas vidas passadas seria muito cômodo e impeliria as pessoas a pedirem desculpas, porém, não haveria aprendizado e evolução, estes alcançados pelos erros e acertos e, principalmente, não haveria a efetiva prática das Leis de Deus.


É necessário ter em mente que filhos são seres emprestados e pensantes, que têm opiniões próprias, sendo dever dos pais e responsável, amar e educar, mas, acima de tudo, respeitar seu jeito e suas escolhas. Filhos são seres capazes de pensar por si só, de ter consciência de suas atitudes e, por isso, não é necessário pensar e agir por ele.


É preciso que se pratique a lei do amor, respeitando o espaço dos filhos e tendo a consciência de que ninguém é de ninguém, criando e aprimorando laços afetivos, convivendo em sociedade e praticando a Lei de Deus.


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Referência

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Editora Letra Espírita. Campos dos Goytacazes/RJ. 2022.



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