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Pluralidade dos Mundos Habitados


Rafaela Paes de Campos


Uma das primeiras lições trazidas pelo Espiritismo está na pluralidade dos mundos habitados, ou seja, a realidade de que não estamos sozinhos no universo e que há muitos outros locais com vida ao nosso redor. Seria, inclusive, bastante pretencioso de nossa imaginar que Deus faria tão vasto universo para que apenas a Terra abrigasse vida.

Assim nos esclarece O Livro dos Espíritos:

55. São habitados todos os globos que se movem no Espaço? Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição. Entretanto, há homens que se têm por espíritos muito fortes e que imaginam pertencer a este pequenino globo o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que só para eles criou Deus o Universo (KARDEC, 2022, p. 61).

Compreendemos, portanto, que há outros mundos habitados e que, inclusive, não somos – como muitos tendem a supor – os mais inteligentes e adiantados de todos eles. Fruto de nosso orgulho, a pretensão de que sejamos únicos ou especiais cai por terra diante das realidades que o Espiritismo descortina.

Em nota a citação anterior, Kardec acrescenta:

Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no Planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes (KARDEC, 2022, p. 62)

Deus não faz nada sem que haja para este algo uma utilidade, e não seria diferente com os planetas que conhecemos e nem com os que as tecnologias humanas ainda não alcançaram conhecer. Todos têm a sua utilidade e seus habitantes, servindo a coletividade que nos compõe de instrumentos da Providência Divina para o cumprimento dos objetivos que atingem a todos.

É comum ouvir nos noticiários diversos que outros planetas não possuem condições de vida, o que mais uma vez esbarra em nosso orgulho, julgando que a nossa forma de viver e de sobreviver seja a única possível. Mais um argumento que é refutado pelo Espiritismo:

56. É a mesma a constituição física dos diferentes globos? Não; de modo algum se assemelham (KARDEC, 2022, p. 62).

57. Não sendo uma só para todos a constituição física dos mundos, seguir-se-á tenham organizações diferentes os seres que os habitam? Sem dúvida, do mesmo modo que no vosso os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar (KARDEC, 2022, p. 62).

A nossa constituição física e as demandas provenientes dela são nossas, mas não são únicas. Somos diferentes, em graus evolutivos diferentes e, por isso, portadores de constituições físicas que sejam condizentes com a etapa vivenciada. E segue O Livro dos Espíritos, em nota de Kardec à questão 58, no que tange a questionamento a respeito do sol e a eletricidade, argumentos geralmente utilizados para falar sobre a impossibilidade de sobrevivência em outros planetas:

As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão de ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver. Se jamais houvéramos visto peixes, não compreenderíamos pudesse haver seres que vivessem dentro da água. Assim acontece com relação aos outros mundos, que sem dúvida contêm elementos que desconhecemos. Não vemos na Terra as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que há de impossível em ser a eletricidade, nalguns mundos, mais abundante do que na Terra e desempenhar neles uma função de ordem geral, cujos efeitos não podemos compreender? Bem pode suceder, portanto, que esses mundos tragam em si mesmos as fontes de calor e de luz necessárias a seus habitantes (KARDEC, 2022, p. 62).

Resumindo estes primeiros fatos, vem O Evangelho Segundo o Espiritismo lecionar que as condições dos mundos são muito diferentes umas das outras e leva em conta o grau de adiantamento ou inferioridade dos seres que os habitam. Elucida que há mundos ainda mais inferiores que a Terra, tanto de ponto físico quanto moral, e outros iguais ou superiores ao orbe que hoje habitamos. Quanto mais inferior, maior é a predominância da materialidade, das paixões, sendo pífia a vida moral, o que aumenta conforme o desenvolvimento do orbe e dos seres que o compõe, sendo que nos mais adiantadas, a vida é quase plenamente espiritual (KARDEC, 2013, p. 58).


Sendo tão diversos os mundos, esclarece-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo sobre essas gradações:

4. Nos mundos intermédios, misturam-se o bem e o mal, predominando um ou outro, segundo o grau de adiantamento da maioria dos que os habitam. Embora se não possa fazer, dos diversos mundos, uma classificação absoluta, pode-se contudo, em virtude do estado em que se acham e da destinação que trazem, tomando por base os matizes mais salientes, dividi-los, de modo geral, como segue: mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e provas, onde domina o mal; mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal; mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão por que aí vive o homem a braços com tantas misérias. (KARDEC, 2013, p. 58)

E diante disso, importante que se esclareça ainda, que sendo vinculados à evolução que já atingiu os seres, por certo que não estamos destinados a habitar apenas um mundo. Já habitamos outros inferiores à Terra e ainda ascenderemos aos mais evoluídos que a casa que hoje nos abriga:

5. Os Espíritos que encarnam em um mundo não se acham a ele presos indefinidamente, nem nele atravessam todas as fases do progresso que lhes cumpre realizar, para atingir a perfeição. Quando, em um mundo eles alcançam o grau de adiantamento que esse mundo comporta, passam para outro mais adiantado, e assim por diante, até que cheguem ao estado de puros Espíritos. São outras tantas estações, em cada uma das quais se lhes deparam elementos de progresso apropriados ao adiantamento que já conquistaram. É-lhes uma recompensa ascenderem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo o prolongarem a sua permanência em um mundo desgraçado, ou serem relegados para outro ainda mais infeliz do que aquele a que se veem impedidos de voltar quando se obstinaram no mal. (KARDEC, 2013, p. 58-59)

Bem nos disse Jesus: Há muitas moradas na casa de meu Pai e, por isso, ainda galgaremos muitos degraus, em muitos outros orbes, até que atinjamos a perfeição almejada pelo Espírito imortal que somos. A velocidade desta chegada é determinada por nós e pelos esforços que dedicados ao nosso afastamento da materialidade e aproximação da essência espiritual que é parte inexorável de quem somos.


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Referências:


KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Guillon Ribeiro. 2013. Brasília/DF: Editora FEB. Disponível em: https://febnet.org.br/wp-content/themes/portalfeb-grid/obras/evangelho-guillon.pdf. Acesso em: 12 de julho de 2023.


KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. 2022. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita.




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