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Tópicos

Psicopatia no entendimento Espírita


Rafaela Paes de Campos


Em termos conceituais, o psicopata é o indivíduo compreendido de forma clínica como perverso e detentor de distúrbios mentais graves que afetam sua maneira de interagir com outros indivíduos, eis que eles se comportam de forma irregular e antissocial. Geralmente são extremamente egoístas, desprovidos de afeto, culpa ou quaisquer emoções, sendo que essas só se voltam ao seu próprio bem-estar. Por fim, pode-se dizer que sentem prazer com o sofrimento alheio (SIGNIFICADOS, 2022, on-line).


Do ponto de vista Espírita, tem-se importante contribuição sobre o tema no site O Consolador, onde o médico Leonardo Machado aduz em artigo escrito por Astolfo de Oliveira Filho:


“O Espiritismo reconhece, sim, este problema. Tendo em vista a imortalidade da alma, identifica-o, porém, como um estado transitório de imperfeição do ser. São, em geral, Espíritos, por diversos motivos, com grande revolta para com as Leis Divinas. Muito dificilmente, contudo, eles conseguirão uma melhora total (às vezes, nem mesmo parcial) em uma existência somente. Só no decorrer das reencarnações, problemas tão graves são solucionados” (OLIVEIRA FILHO apud MACHADO, 2011, on-line).


Pode-se compreender, portanto, que seguindo a lógica do aprendizado Espírita, são indivíduos ainda imperfeitos como todos nós o somos, mas que carregam ainda grandes revoltas que os compelem ao mal e aos erros grotescos, o que, via de regra, não se soluciona em apenas uma existência, pautando na sua pluralidade a resolução da gravidade que ainda portam. E segue:


“Eles também são destinados à perfeição, e um dia (certamente com grande demora para a nossa mentalidade humana) irão tomar consciência da Lei Divina e ter a capacidade de sentir culpa. Cada ser quando desencarna, fica no ‘céu ou no inferno’ mental que criou, e isto não é diferente com estas pessoas” (OLIVEIRA FILHO apud MACHADO, 2011, on-line).


Como não poderia deixar de ser, todos somos criados com o objetivo intrínseco de evoluir e chegar à perfeição relativa. Assim ocorre com esses indivíduos, que possuem a mesma destinação que qualquer outro Espírito criado, mas que ainda se encontra envolto pelas névoas da maldade e da isenção em relação aos sentimentos alheios, o que, como dito, será atenuado e solucionado por meio das reencarnações.


Importante ressaltar que nesses casos, tão perversos e chocantes, não há que se falar em uma destinação absoluta aos acontecimentos que ocorrem, ou seja, não há no planejamento reencarnatório da vítima e nem do algoz o estabelecimento de tais ocorrências, eis que isso fugiria a todo e qualquer sentido do que nos ensina o Espiritismo. Se a ‘missão’ de todos nós, ao encarnar, é seguir na trilha evolutiva, o planejamento reencarnatório que previsse acontecimentos violentos e desumanos levaria uma das partes ao acúmulo de mais débitos, indo contra as Leis de Deus, as quais Ele jamais descumpre.


Todo e qualquer planejamento prevê a ordem de coisas que cada Espírito precisa passar para que suba mais degraus da escala Espiritual, e ser o assassino de uma ou mais pessoas não faria com que esse ‘roteiro’ fosse cumprido, e isso é uma questão lógica. Desta forma, segue o texto já mencionado:


“Como todo ser, eles também foram criados simples e ignorantes da Lei por Deus. E, como todos têm a liberdade de escolha, a existência deste problema não é uma criação do Pai, mas uma liberdade individual. Muitas vezes, Espíritos desencarnados ‘pseudo-comandantes das trevas’ são claramente psicopatas, quando desafiam as Leis do Universo, querendo fazer justiça com as próprias mãos, ou ficando insistentemente no mal” (OLIVEIRA FILHO apud MACHADO, 2011, on-line).


Trata-se do mais puro e simples exercício do livre-arbítrio, faculdade que todos nós possuímos e da qual lançamos mão diversas vezes ao longo dos nossos dias, sempre que fazemos uma escolha. O indivíduo portador da psicopatia assim o faz, escolhe enveredar-se pelas sombras da perversidade, atingindo vidas inocentes e isso de sua escolha, caminho que aceitou e quis trilhar. A vítima não estava predestinada, é apenas uma vítima!


“Quando, no entanto, o erro afeta muitas pessoas e é muito profundo, a liberdade deles é constrangida, por exemplo, em processos de reencarnações compulsórias em corpos com grandes deficiências, em verdadeira aprendizagem na Terra. Em outras situações, são exilados do planeta para o bem do progresso geral, indo para outros planetas mais inferiores, onde poderão expiar as faltas e ajudar com o desenvolvimento intelectual do orbe de exílio” (OLIVEIRA FILHO apud MACHADO, 2011, on-line).


Por certo que, conforme nos leciona a Doutrina Espírita, o livre-arbítrio pode ser tolhido quando seu mau uso afeta de forma contundente as pessoas ao redor, o que é o caso, sendo então este Espírito impulsionado a uma encarnação compulsória de expiação onde inicie o resgate de seus débitos, assim como pode ser exilado a um orbe que ainda guarde sintonia com a sua vibração e onde sua superioridade meramente intelectual auxilie na evolução do planeta então habitado.


Finaliza-se dizendo que estamos inseridos numa coletividade de almas, cada qual em um nível evolutivo diferente, e isso faz com que salte aos nossos olhos, um pouco mais adiantados que outros, a maldade que faz parte dos noticiários e para a qual não encontramos explicação.


Esta maldade só é combatida e atenuada pela educação, conforme leciona O Livro dos Espíritos:


[...] Ele pode, por provação e por expiação, escolher uma existência em que sentirá as seduções do crime, seja pelo meio em que se encontra, seja por circunstâncias inesperadas, mas ele é sempre livre para agir ou não agir. Assim, quando se está no estado de Espírito, o livre-arbítrio consiste na escolha da existência e das provações, e, no estado corporal, na capacidade de ceder ou resistir às atrações a que somos voluntariamente expostos. Cabe à educação combater essas más tendências [...]” (KARDEC, 2022, questão 872).


Portanto, estejamos sempre atentos e vigilantes ao nosso redor, observando as inclinações dos que nos cercam para que possamos agir de forma proativa, eis que a Ciência terrena está aí para servir de base para o controle e possível atenuação de descontroles que possam fazer surgir males inenarráveis.


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REFERÊNCIAS


KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes: Editora Letra Espírita, 2022.