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Qual o Limite Entre Opinião e Julgamento?


Rafaela Paes de Campos


Não há entre nós um que acerte sempre, exceto os raros Espíritos encarnados que estejam aqui cumprindo uma missão que vise ao aprimoramento da humanidade.


Em assim sendo, os equívocos cometidos são muitos, sejam eles traduzidos em atitudes concretas, palavras e até maneiras de pensar. Mas é importante repetir: todos somos assim e estamos sujeitos a essas situações.


Além disso, é certo reiterarmos a informação de que estamos dentre muitos com níveis de evolução diferentes. Uns progrediram mais que outros e, por isso, sabem um pouco mais, seja intelectual ou moralmente falando. Nesse diapasão, a Lei de Sociedade vem nos ensinar que o convívio coletivo, a inserção em sociedade, tem o poder de nos fazer progredir.


Quando um sabe algo que o outro não sabe, ou no qual ainda está errando, este ensina, havendo o momento em que ele também poderá ser ensinado pelo conhecimento que outro tenha e que ainda lhe falte. Em questão de aprendizado, é a troca que nos torna cada vez mais ricos!


Diante disso, há vezes em que nos sentimos impelidos a opinar a respeito de atitudes ou decisões tomadas por aqueles que nos rodeiam. Mas há uma linha tênue entre opinar com o objetivo de auxiliar e, opinar culminando num julgamento que fere e irrita, mais do que auxilia.


Socorre-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo:


Amor, no sentido profundo da palavra, é ser leal, honrado, consciencioso, para fazer aos outros o que se quer para si mesmo. É procurar ao redor de si o sentido íntimo de todas as dores que atormentavam vossos irmãos, para abranda-las. É olhar a grande família humana como a sua, uma vez que reencontraríeis essa família num certo período, em mundos mais avançados. Pois os Espíritos que a compõem são, como vós, filhos de Deus, destinados à elevação ao infinito. Por isso não podeis recursar a vossos irmãos o que Deus prodigamente vos dá, porque, de vossa parte, estaríeis bem cômodos se vossos irmãos vos dessem aquilo de que teríeis necessidade. Portanto, dai a todos os sofredores uma palavra de esperança e de apoio, para que sejais todo amor, todo justiça.” (KARDEC, 2019, p. 120).


Dar uma opinião produtiva, um conselho que fará o outro pensar e rever seus possíveis erros, é branda, traz entranhada a vontade legítima de fazer o outro não incorrer em equívocos que talvez já conheçamos, ou que enxergamos melhor “olhando de fora”. Agir com este intento é ação de conversa tranquila, demonstração racional de pontos a serem analisados, atitude cheia de amor e acolhimento, que mostra ao invés de impor, que ensina ao invés de determinar. É olhar o outro com empatia, colocando-se em seu lugar e orientando como gostaria de ser orientado quando o equivocado fosse você.


Por outro lado, o julgamento vem recheado de rispidez, olhares condenatórios, palavras que são flechas lançadas e que ferem e machucam, causando afastamentos e sentimentos poucos nobres. Mais uma vez indica-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo:


É que toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei de amor e caridade, que deve regular as relações dos homens e manter entre eles a concórdia e a união. Toda palavra ofensiva é um golpe contra a benevolência recíproca e a fraternidade” (KARDEC, 2019, p. 103).


Não há como dizer ‘eu só queria ajudar’, porque são nítidas as diferenças existentes entre uma opinião/conselho e uma opinião/julgamento. Lembremo-nos que somos em essência aquilo que fazemos, aquilo que reside verdadeiramente dentro do nosso coração. Podemos dissimular as reais intenções, na tentativa de se mascarar de bondade, mas Deus, este que nos olha e nos conhece como ninguém, sabe exatamente o que nos habita.


A diferença entre opinião e julgamento mora na real intenção daquele que a profere... e a real intenção, esta nós e Deus conhecemos, e por ela, não pelo ato externo, que colheremos os louros dos acertos ou as pedras que deixamos pelo caminho.


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REFERÊNCIA

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Matheus R. Camargo. Capivari/SP: Editora EME. 2019.



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