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Solidão: Entendimento e Cuidados


Rafaela Paes de Campos


Não seria sincero se disséssemos que não há conforto em estar apenas em nossa companhia, fazendo o que gostamos e queremos, do nosso jeito e quando quisermos. Claro que há conforto, pois neste cenário nada nos irrita ou tira a paciência, não somos cobrados e nem precisamos esperar algo do outro.

 

É importante que tenhamos momentos assim, momentos de solitude, tempo em que nos permitimos relaxar e desligar das tantas preocupações do dia a dia.

 

Mas, não sempre, não o tempo inteiro, não apenas isso! Daí a solitude vira solidão e esta é bastante perigosa. Ambas significam estarmos sozinhos, mas a solitude é um tempo de escolha, feliz. Outra coisa bem diferente é a solidão de nos isolarmos, de estarmos sempre sozinhos e mais que termos um tempo de desligamento, é mergulhar neste estado como uma fuga das situações ao nosso redor.

 

Uma pausa para uma breve análise: quando, lá em 2020, precisamos ficar isolados, todos ficamos chocados, desejosos de estar com os nossos, saudosos do convívio social. Aí demorou a passar... tivemos que ficar... aí foi ficando confortável. Então, as portas se abriram. Voltamos a conviver como antes? Não!


Tornamo-nos intolerantes, impacientes, desejosos de um sossego que significa desvincular-se dos aborrecimentos, das manias alheias, das diferenças.

 

É para andar sozinho que reencarnamos num mundo deste tamanho? É para isso que reencarnamos com diversas pessoas ao nosso lado, ligadas a nós por um motivo ou outro? Certamente que não.

 

A vida social está na Natureza, pois fomos criados por Deus para viver em sociedade, dotados de todas as faculdades necessárias para que tenhamos uma vida de relações (KARDEC, 2022, p. 280).

 

Temos a fala, a escuta, a inteligência a ser desenvolvida, a fim de a vida coletiva possa ser vivida. E não só isso, somos Seres em franco crescimento e aprendizado, Espíritos buscando reiteradamente por evolução. Isolados nos desenvolveremos ou cresceremos? Não, por certo que não.

 

A vida em sociedade pressupõe troca: eu te ofereço o que sei em abundância e você me ensina aquilo que a vida já te permitiu aprender em maior profundidade. Falta em mim, você me oferta; falta em você, eu te oferto. É uma troca, são caminhos percorridos em que deixamos um pouco de nós e levamos um pouco do outro. Assim vamos ascendendo moral e espiritualmente.

 

Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados” (KARDEC, 2022, p. 280).

 

Portanto, sem mais delongas, façamos uma profunda e sincera análise, qual a profundidade da nossa solidão? Só queremos um tempo ou queremos ela todo o tempo que dispomos?

 

Quanto mais nos fecharmos, mais intolerância, desamor, desassossego e impaciência veremos brotar em nós e no mundo que tanto queremos ver mudar. Como nos resume muito bem Victor Hugo, poeta e dramaturgo, “todo inferno está contido nesta única palavra: solidão”.

 

Permita-se seus instantes de solitude, acolha a esta necessidade, mas tenha a chave da porta que permitirá que saia dela e vá viver e aprender!

 

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Referência

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução e Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.


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