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Sonhos Premonitórios


Luciane Soek


O que são sonhos premonitórios? Eles realmente existem?

 

Sim, eles existem. Mas antes, vamos compreender inicialmente como ocorrem os sonhos. Quando adormecemos nosso Espírito não fica inativo junto com o corpo físico. Afrouxam-se os laços fluídicos que o seguram ao corpo material e ocorre a emancipação da alma. Então o Espírito percorre o espaço, podendo se deslocar ao Plano Espiritual. O sonho é uma lembrança do que a alma vivenciou no Plano Espiritual durante o sono físico. ( KARDEC, 2021, p. 166).

 

No livro Desmistificando a Mediunidade, a autora Evelyn Freire de Carvalho, nos orienta que os sonhos premonitórios são classificados como reflexivos, viabilizando o acesso a memória superconsciente que está relacionada ao futuro. São aqueles cujo conteúdo remete a futuros acontecimentos. Podem ainda ser um alerta para aquele que sonha ou para terceiros, de modo que possa tomar certas atitudes e providências, como pode também ser uma preparação para algum acontecimento, facilitando a aceitação pelo indivíduo.

 

A médium Yvonne do Amaral Pereira, em seu livro Recordações da Mediunidade, diz que: “existem vários processos pelos quais o homem poderá ser informado de um ou outro acontecimento futuro importante da sua vida. Comumente, se ele fez jus a essa advertência, ou lembrete, pois isso implica certo mérito, ou ainda certo desenvolvimento psíquico, de quem o recebe, é um amigo do Além, um parente, o seu Espírito familiar ou o próprio guardião maior que lhe comunica o fato a realizar-se, preparando-o para o evento, que geralmente é grave, doloroso, fazendo-se sempre em linguagem encenada, ou figurada, como de uso no Invisível, e daí o que chamais “avisos pelo sonho”, ou seja, sonhos premonitórios”.

 

Como consta nas Escrituras Sagradas, no livro Gênesis do Antigo Testamento, um Faraó teve um sonho cheio de simbologias. Ele sonhou que do rio Nilo subiam sete vacas formosas e robustas que pastavam no carriçal. Após subiam do rio outras sete vacas feias e magras. Então as vacas magras comiam as vacas robustas. Logo após, sonhou que de uma haste saíam sete espigas cheias e boas. E após elas, nasciam sete espigas mirradas. As espigas mirradas devoravam as sete espigas grandes e cheias. E José conseguiu interpretar esse sonho do Faraó, sendo sete anos de fartura e sete anos de miséria. E realmente ocorreu o que Faraó sonhou (Gênesis 41, v. 01 a 36).

 

Kardec, Codificador da Doutrina Espírita, em A Gênese, menciona que José foi advertido por um anjo, que lhe apareceu em sonho e lhe disse para fugir para o Egito com o menino (São Mateus, cap II, v. 19 a 23).


Os sonhos premonitórios ocorrem com permissão de Deus e da Espiritualidade Amiga, a linguagem pode variar, apresentando-se objetiva ou por meios de simbologias, conforme a necessidade e merecimento de quem sonha. Ocorre porque em desdobramento o Espírito amplia seu campo de percepção, sendo capaz de perceber coisas futuras e ver com mais nitidez. Também podem não se realizar, pois depende de nosso livre-arbítrio e das escolhas que faremos. Podem não se realizar, pois se a finalidade é orientar a pessoa a seguir o conselho amigo e ter precaução, atentando-se, não ocorre o evento posteriormente pelo cuidado tomado.

 

Na pergunta 405 de O Livro dos Espíritos, Kardec diz: “Veem-se frequentemente, em sonhos, coisas que parecem pressentimentos e que não se cumprem; de onde vem isso?  - Eles podem cumprir-se para o Espírito, se não para o corpo, isto é, o Espírito vê a coisa que deseja porque vai procurá-la. É preciso não se esquecer que, durante o sono, a alma está sempre, mais ou menos, sob a influência da matéria e que, por conseguinte, ela jamais se liberta completamente das ideias terrenas. Disso resulta que as preocupações da vigília podem dar, ao que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme; a isso, verdadeiramente, pode-se chamar um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma ideia, a ela se liga aquilo que se vê”.

 

Algumas vezes, quando suficientemente purificada, a alma, conduzida por Espíritos Angélicos, chega em seus transportes a alcançar as esferas divinas, o mundo em que se geram as causas. Aí paira, sobranceira ao tempo, e vê desdobrarem-se o passado e o futuro. Se acaso comunica ao invólucro humano um reflexo das sensações colhidas, poderão estas constituir o que denomina sonhos proféticos. Nos casos importantes, quando o cérebro vibra com demasiada lentidão para que possa registrar as impressões intensas ou sutis percebidas pelo Espírito, e este quer conservar, ao despertar, a lembrança das instruções que recebeu, cria então, pela ação da vontade, quadros, cenas figurativas das imagens fluídicas, adaptadas a capacidade vibratória do cérebro material, sobre o qual, por um efeito sugestivo, as projeta energicamente. E, conforme a necessidade, se é inábil para isso, recorrerá ao auxílio dos Espíritos mais adiantados, e assim revestirá o sonho uma forma alegórica (DENIS, 2008, p. 119)

 

Devemos encarar com naturalidade os sonhos, sem receios e interpretações supersticiosas. Sempre usar de bom senso e lógica. Preparar-se para um sono tranquilo, com ambiente calmo e salutar. Fazer uma prece sincera do coração antes de deitar, pedir a Espiritualidade que nos conduza durante a emancipação da alma. Não devemos temer, se a Espiritualidade amiga permitir que possamos ter algum sonho premonitório, a mesma nos dará condições de recordar seus conselhos e orientações ao acordar e com isso usar a nosso favor ou a pessoas que nos são importantes. 

    

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Referências:

 

1- BÍBLIA. Sagrada: Antigo e Novo Testamento. Tradução: João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007.

2- CARVALHO, Evelyn Freire de. Desmistificando a Mediunidade. 1ªedição. Letra Espirita. Campos dos Goytacazes/RJ, 2020.

3- DENIS. Léon. No Invisível, tradução Editora FEB. Brasil. 2008.

4- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

5- KARDEC, Allan. A Gênese, tradução de Salvador Gentile. 56ª edição. Instituto de Difusão Espírita. Araras/São Paulo. 2021.

6- PEREIRA,Yvonne A. Recordações da Mediunidade. FEB. Rio de Janeiro. 1976.



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