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Uma Reflexão Espírita Sobre os Ciclos da Vida


Roberto de Carvalho


“Tudo tem seu apogeu e seu declínio... É natural que seja assim; todavia, quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge, triunfante e bela! Novas folhas, novas flores, na infinita bênção do recomeço” (Chico Xavier).



Reencarnação é a passagem do Espírito pela vida corporal. Seu principal objetivo é possibilitar a ascensão moral e intelectual do indivíduo, por meio de ações no campo dos relacionamentos com o próximo e da interação com o mundo material. Os ciclos a que todos os Espíritos são submetidos em suas diversas reencarnações – infância, juventude, maturidade e velhice – contribuem para essa inevitável progressão.


O primeiro estágio no corpo físico é a infância. Nesta fase, o Espírito reencarnado tem necessidades especiais de cuidados que, muitas vezes, só o amor materno pode oferecer. Diante da fragilidade e da ingenuidade da criança, o olhar terno dos membros da família (principalmente da mãe) vê uma aura de pureza a toda prova, apesar de tratar-se de um ‘Espírito adulto’ e de ser, em muitos casos, detentor de inúmeros débitos e fraquezas morais.


Na adolescência, o Espírito começa a se despertar na matéria, exteriorizando a sua personalidade. De um modo geral é a fase da rebeldia, das descobertas, do confronto, das experimentações e, normalmente, do despertamento de atitudes viciosas angariadas em experiências de vidas passadas.


Na vida adulta, o Espírito reencarnado está mais independente e passa a se preocupar com o lugar que ocupará na sociedade em termos profissionais e financeiros. Muitas vezes acaba alimentando ilusões e desvirtuando a escala de valores. É o período mais propício para o reencontro de ‘almas afins’, quando, na maioria dos casos, ocorrem as relações afetivas mais duradouras, como o casamento e o início da constituição das famílias consanguíneas.


Na velhice, o Espírito costuma desfrutar da experiência adquirida ao longo dos anos e, exceções à parte, faz o ‘caminho de volta’ no que diz respeito ao conceito de valores. Nessa fase, com o desgaste físico a impor vários tipos de limitação, o olhar se volta para as questões espirituais e as ilusões das conquistas mundanas se dissipam. É o Espírito se preparando para o retorno à Pátria de origem.


Após a passagem pelo sepulcro, o Espírito, despojado da vestimenta de carne, passa a interagir no Plano Espiritual com seu corpo etéreo (perispírito). O período entre uma reencarnação e outra é chamado de erraticidade e representa, por assim dizer, um tempo de reflexão, autocrítica e preparação para os desafios a serem enfrentados nas reencarnações futuras. A duração desse período, segundo a Doutrina Espírita, varia conforme a situação de cada espírito, podendo ser demasiadamente longa ou bem curta; uma espécie de ‘bate-volta’.


Concluímos que cada fase da vida humana é de suma importância e apresenta as suas características próprias para aquilo a que se propõe: aprendizado do ser espiritual, redenção e amadurecimento. Tudo ocorre oportunamente, do mesmo modo como o fruto que tem o tempo certo para o plantio, o cuidado e a colheita.


“Assim como para o operário o sol se levanta no dia seguinte, e começa uma nova jornada que lhe permite reparar o tempo perdido, também para o Espírito, após a noite do túmulo, brilhará o sol de uma nova vida, na qual poderá aproveitar a experiência do passado e as boas resoluções para o futuro.” (KARDEC, 2020, p. 62).


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Referência

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Matheus Rodrigues de Camargo. 7ª reimp. jun. 2020 – Capivari/SP: Editora EME.



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