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Como Lidar com a Ingratidão do Próximo sob uma Ótica Espírita ?


Fernanda Oliveira


Ingratidão, segundo o dicionário online, é qualidade ou ação de quem é ingrato; falta de gratidão, de reconhecimento. Lamentavelmente chegamos ao ponto de perceber a ingratidão das pessoas em diversos momentos e situações cotidianas, desatenção a generosidade e a atitude fraterna; o não agradecer as pequenas delicadezas e gestos do dia a dia.


Quem pratica o bem e procura auxiliar e ajudar geralmente o faz de coração, sem esperar nada em troca. Mas será difícil para quem recebe reconhecer aquela atitude caridosa?

Aprendemos a amar, a fazer o bem e a manter uma postura de gratidão pela vida, mas como devemos lidar com a atitude de ingratidão?


O ser ingrato é uma criatura guiada ainda pelo egoísmo; conforme esclarece questão 937 de O Livro dos Espíritos: Para o homem de coração, as decepções oriundas da ingratidão e da fragilidade dos laços da amizade não são também uma fonte de amarguras? “São; porém, deveis lastimar os ingratos e os infiéis: serão muito mais infelizes do que vós. A ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta topará mais tarde com corações insensíveis, como o seu próprio o foi. Lembrai-vos de todos os que hão feito mais bem do que vós, que valeram muito mais do que vós e que tiveram por paga a ingratidão. Lembrai-vos de que o próprio Jesus foi, quando no mundo, injuriado e menosprezado, tratado de velhaco. Seja o bem que houverdes feito a vossa recompensa na Terra e não atenteis no que dizem os que hão recebido os vossos benefícios. A ingratidão é uma prova para a vossa perseverança na prática do bem; ser-vos-á levada em conta e os que vos forem ingratos serão tanto mais punidos, quanto maior lhes tenha sido a ingratidão”


A ingratidão é um teste para o seu agir, quando fazemos e tomamos atitudes sem esperar nada em troca, procurando realizar pensando na coletividade, no bem comum, podemos nos deparar com ações infelizmente de desconhecimento, mas não podemos ou devemos deixar esse ato modificar a nossa essência generosa, a questão 938 de O Livro dos Espíritos esclarece: As decepções oriundas da ingratidão não serão de molde a endurecer o coração e a fechá-lo à sensibilidade? “Fora um erro, porquanto o homem de coração, como dizes, se sente sempre feliz pelo bem que faz. Sabe que, se esse bem for esquecido nesta vida, será lembrado em outra e que o ingrato se envergonhará e terá remorsos da sua ingratidão”. a) - Mas, isso não impede que se lhe ulcere o coração. Ora, daí não poderá nascer-lhe a idéia de que seria mais feliz, se fosse menos sensível? “Pode, se preferir a felicidade do egoísta. Triste felicidade essa! Saiba, pois, que os amigos ingratos que os abandonam não são dignos de sua amizade e que se enganou a respeito deles. Assim sendo, não há de que lamentar o tê-los perdido. Mais tarde achará outros, que saberão compreendê-lo melhor. Lastimai os que usam para convosco de um procedimento que não tenhais merecido, pois bem triste se lhes apresentará o reverso da medalha. Não vos aflijais, porém, com isso: será o meio de vos colocardes acima deles”.


Allan Kardec: A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores gozos que lhe são concedidos na Terra é o de encontrar corações que com o seu simpatizem. Dá-lhe ela, assim, as primícias da felicidade que o aguarda no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benignidade. Desse gozo está excluído o egoísta.


O descaso do outro não pode e não deve afetar o que você é e as atitudes generosas e despretensiosas que realiza, a insatisfação gera sentimentos negativos que atrapalham o nosso caminhar. Se ajudamos alguém esperando receber algo em troca, isso não é dar/ ajudar isso é troca. Nunca estar satisfeito com o que se é ou com o que possui acaba produzindo sintonia com energias inferiores e negativas muitas pessoas ainda não compreendem o poder da gratidão. Todo mal por nós praticado conscientemente expressa de algum modo lesão em nossa consciência.


Devemos atentar para o que é positivo, registrar as coisas simples e boas, fazer contas de todas as dádivas já recebidas. Semelhante atrai semelhante, reencarnações após reencarnações vamos formando as nossas vidas ao nosso redor de acordo com os nossos pensamentos e atitudes.


A gratidão faz bem à saúde, é sintonia plena com o plano superior da vida, nos torna felizes e positivos.


As leis espirituais respeitam o livre arbítrio, mas a vida pede para repensarmos nossas atitudes e escolhas. Toda vez que eu causo sofrimento no meu semelhante eu gero sofrimento em mim.


Conforme elucida o Evangelho segundo o Espiritismo no capitulo XXVIII no item 28: “O homem esquece facilmente do bem, para, de preferência, lembrar-se do que o aflige. Se registrássemos diariamente os benefícios de que somos objeto, sem os havermos pedido, quase sempre ficaríamos espantados de termos recebido tantos e tantos que se apagaram da nossa memória com a nossa ingratidão”. É recomendado essa sintonia de percepção com todas as coisas boas que recebemos e aprendemos diariamente, entrar em sintonia com Deus, manter o equilíbrio e a paz intima.


O mundo que vivemos é o mundo real e é bem diferente da teoria do mundo ideal, quando estamos equilibrados nada tira nossa paz. Conheça bem a si mesmo para que a ingratidão do outro não afete o seu estado mental e modifique quem você nasceu para ser. Procure proteger suas emoções, pois é dela que saem as suas escolhas.


A gratidão é o medicamento do espírito e o sentimento de almas elevadas. Com a disciplina, controle dos nossos pensamentos e atitudes, abandono do costume de reclamar e foco no propósito da vida entramos em conexão direta com os planos elevados e passamos a ter uma postura otimista na vida.O Espiritismo nos ensina a cultivar a semente do bem em nós mesmo e no nosso próximo. O homem nasceu com a sina do progresso.


Vamos caminhando praticando o bem na sintonia do amor.


“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e

justiça. Digo o que penso com esperança. Penso no que

faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me

esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também

se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a

mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou

lutar, porque descobri, no caminho incerto da vida, que

o mais importante é o decidir”(Cora Coralina)


REFERÊNCIA


1- O Evangelho Segundo o Espiritismo- Allan Kardec- Editora Boa Nova

2- O Livro dos Espíritos- Allan Kardec –Editora EME

3- A vida na visão do Espiritismo- Alexandre Caldini Neto- Editora Sextante

4- Melhores Poemas- Cora Coralina-Editora GlobalPocket.

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