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Desencarnes Prematuros



Por: Rafaela Paes


É imensurável a dor de ver uma pessoa jovem partir cedo demais, o que se eleva a níveis ainda maiores, quando se trata de um bebê ou criança. A nossa própria natureza humana, espíritos ainda muito apegados à matéria em todas as suas configurações, faz com que questionemos acontecimentos como esses, sem compreender que cada um dos Espíritos que reencarna traz consigo particularidades e necessidades próprias.


O Livro dos Espíritos esclarece no tópico “União da alma e do corpo” alguns pontos importantes a respeito dos casos de desencarne prematuro. Em primeiro lugar, há que se mencionar a questão 345, onde se pergunta:


“A união entre o Espírito e o corpo é definitiva a partir do momento da concepção? Durante esse primeiro período, o Espírito poderia renunciar a habitar o corpo que lhe é designado?” (KARDEC, 2019, p. 142).


A resposta dada pela Espiritualidade nos ensina que “a união é definitiva, no sentido de que um outro Espírito não poderia substituir aquele que está designado para esse corpo. Mas os lados que prendem o corpo ao Espírito são muito frágeis, fáceis de romper, e isso pode ocorrer pela vontade do Espírito que recua diante da prova que escolheu. Nesse caso, a criança não vive” (KARDEC, 2019, p. 143).


A questão acima mencionada demonstra que há situações em que o Espírito reencarnante renuncia à habitação do corpo que lhe foi designado e, neste caso o corpo não irá sobreviver, configurando uma hipótese de desencarne prematuro. Portanto, diante da fragilidade que liga o Espírito ao novo corpo que habitará, este pode ser rompido pela vontade deste, levando-o, então, à desencarnar prematuramente.


Adiante, as perguntas e respostas à questão 346 explicam uma das hipóteses em que tais mortes prematuras podem ocorrer:


“346 – O que acontece com o Espírito, se o corpo que ele escolher vier a morrer antes do nascimento?” Ao que a Espiritualidade esclarece: “Escolhe um outro” (KARDEC, 2019, p. 143).


“346- a) Qual pode ser a utilidade dessas mortes prematuras?” Ao que se responde: “As imperfeições da matéria são a cauda mais frequente dessas mortes” (KARDEC, 2019, p. 143).


Sendo assim, aprende-se que se um corpo morre antes do nascimento, o Espírito escolhe outro que viabilize a encarnação e, esse tipo de desencarne, ocorre, via de regra, por conta das imperfeições da própria matéria.


Além disso, questiona-se: “347 – Para um Espírito, que utilidade pode ter a sua encarnação num corpo que morre poucos dias depois de nascer?” (KARDEC, 2019, p. 143). Trata-se de um questionamento comum entre nós encarnados, pois, julgamos apenas a vida atual, não enxergando coerência na partida precoce de um Espírito que nada viveu e, nesse ponto, a Espiritualidade leciona: “O ser não tem consciência plena da sua existência. A importância da morte é quase nula. Como dissemos, na maioria das vezes é uma prova para os pais” (KARDEC, 2019, p. 143).


Diante da questão, aprendemos que o Espírito reencarnante não possui a consciência total de sua nova vida, o que torna a magnitude da morte quase nula para ele, ocorrendo de, normalmente, tratar-se de uma prova necessária aos que seriam seus pais.


Sendo assim, recua-se à questão 199 de O Livro dos Espíritos, onde se questiona “Porque muitas vezes a vida é interrompida na infância?”, ao que se aduz: “A duração da vida da criança pode ser, para o Espírito que está encarnado nela, o complemento de uma vida interrompida antes do término devido, e sua morte é, muitas vezes, uma provação ou expiação para os pais” (KARDEC, 2019, p. 101).


Mais uma vez menciona-se a hipótese de tratar-se de uma prova destinada aos pais da criança, mas aprende-se que também pode ocorrer a morte prematura devido a uma morte precoce em uma vida anterior, servindo a presente existência como um complemento daquela que se findou antes da hora.


Trata-se de hipóteses, respostas aos por quês que circundam a vida humana e um de seus acontecimentos mais dolorosos. É inegável a dor da separação precoce, abrupta, e não se escreve a fim de desdenhar de tais sentimentos.. Entretanto, há que se ter em mente que cada acontecimento que circunda nossas vidas, atende a algo muito maior do que nossos olhos materiais são capazes de enxergar.


Diante se uma separação desta monta ensina-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo:


“Homens, é aí que tendes necessidade de elevar-vos acima do terra-a-terra da vida, para compreender que o bem está muitas vezes onde credes ver o mal, e a sábia previdência onde credes ver a cega fatalidade do destino. Por que medir a justiça divina pelo valor da vossa? É possível pensar que o Senhor dos mundos deseja, por simples capricho, infligir vos penas cruéis? Nada se faz sem um objetivo inteligente, e, haja o que houver, cada coisa tem sua razão de ser. Se investigásseis melhor todas as dores que vos atingem, delas sempre encontraríeis a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses seriam uma consideração secundária, que relegaríeis ao último plano” (KARDEC, 2018, p. 72).


O mundo dos sofrimentos que experimentamos se diminui à medida que entendemos de forma verdadeira a grandiosidade por trás de todo e qualquer acontecimento que nos atinge durante a encarnação e, sendo Deus justo e misericordioso, jamais nos faria passar aquilo que não é necessário para o nosso crescimento e evolução, assim como daqueles que nos circundam.


E a nós Espíritas, finaliza O Evangelho Segundo o Espiritismo dizendo “vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração chamando esses entes bem-amados. E se rogardes a Deus para abençoa-los, sentiríeis em vós essa poderosa consolação que seca as lágrimas, essas aspirações maravilhosas que vos mostrarão o futuro prometido pelo soberano Senhor” (KARDEC, 2018, p. 73).


Sendo assim, que lembremo-nos que, maior que nossa dor, é a necessidade de orar para o bem daquele que se foi, o que o acalenta e, consequentemente, acalma o vale de lágrimas em que os que ficaram acabam inseridos. Mais do que buscar os porquês, é preciso compreensão da grandiosidade da vida, que não se limita a esta nem a este lugar, não caindo uma folha se não for extremamente necessário para atender a um bem muito maior do que podemos compreender em nossa pequenez material.

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Referências

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução e redação final de Matheus Rodrigues de Camargo. 43ª Reimpressão. Capivari-SP. Editora EME. 2018.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução e redação final de Matheus Rodrigues de Camargo. 24ª Reimpressão. Capivari-SP. Editora EME. 2019.


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