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Desastres Naturais na Visão Espírita


Fernanda Oliveira


“A transição planetária se inicia quando cada um procura fazer a transição individual moral” (Murilo Viana).


Os desastres naturais como tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos, tornados, deslizamentos, erosões, inundações entre muitos outros ocorrem quando os fenômenos naturais atingem áreas habitadas e causam danos e perdas para os seres humanos (TOMINAGA e outros,2009, p10). E nos últimos anos é cada vez mais habitual que haja notícias de desastres naturais em diferentes partes do mundo.


Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar; porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos ”. Conforme a resposta da questão 728 de O Livro dos Espíritos (KARDEC, 1994, p 346) a destruição é uma transformação para o aperfeiçoamento e evolução.


A destruição serve didaticamente para a percepção das escolhas equivocadas dos indivíduos; como colocam as suas necessidades em primeiro lugar sem observar a importância de agir de modo consciente pensando na coletividade Como medida pedagógica para que o crescimento da humanidade ocorrem essas destruições que aceleram o progresso dos todos os seres; aprendendo na prática valores morais como solidariedade, respeito, compaixão, paciência , empatia, abnegação, valorização da vida e do meio ambiente. É necessário que se veja o objetivo para que os resultados sejam apreciados.


Deus renova os mundos como renova os seres; se a humanidade está seguindo em uma direção errada a Providência Divina altera essa direção. A cada um foi dado meios para progredir pelo conhecimento do bem e do mal; quando o ser humano aproveita esses meios ele acelera o progresso realizando em alguns anos o que exigiria séculos.


Em A Gênese aprendemos no capítulo III sobre o bem e o mal que: “Assim, o homem limpa regiões insalubres, neutraliza os miasmas pestilentos, fertiliza terras não cultivadas, preserva-as de inundações; constroem-se casas mais saudáveis, mais fortes para suportar os ventos, tão necessários para a purificação da atmosfera, e se protege do clima“ e, continua: “Como o homem deve progredir, os males aos quais está exposto constituem um incentivo para o exercício de sua inteligência e de todas as suas faculdades físicas e morais, convidando-o à pesquisa dos meios para evitá-los.(...) A dor é o aguilhão que empurra o homem a seguir adiante, no caminho do progresso” (KARDEC, 2019, p. 97).


Existe o entendimento de que esses fenômenos naturais que causam destruição são provocados pelo crescimento urbano acelerado, desmatamentos, aterros impróprios, aquecimento global e outras inúmeras situações que afetam a natureza. – Resultado das ações humanas.


Dotado do livre arbítrio, ou seja, da liberdade de escolha, é o indivíduo o construtor de seu próprio destino. A lei natural é a lei de Deus e é a única verdadeira para a felicidade do homem. Somos sempre autores de nossos sofrimentos ou da nossa felicidade e paz.


A Lei da Destruição é uma das leis morais de Deus; que existe para o melhoramento e aperfeiçoamento moral e espiritual do indivíduo. Sendo a destruição o fator gerador de uma transformação do ser, Deus não castiga e não causa o mal; ele estabeleceu leis cheias de sabedoria, cujo objetivo é o bem, quanto mais consciência a humanidade conquista menos esses desastres ocorrem.



Do próprio mal nasce o bem levantando lições e questões para a reflexão; como um curso intensivo do Evangelho, os indivíduos aprendem os verdadeiros valores da humanidade: humildade, igualdade, respeito, solidariedade, paciência, inteligência e amor ao próximo. O sofrimento é como um alerta para educar, modificar e promover uma mudança de postura. Alguns indivíduos não conseguem perceber a importância da mudança de atitudes e não possuem maturidade para compreender que os males são consequência de seus atos e preferem culpar a Deus pelas coisas que estão negativas em suas vidas, não percebendo que as doenças, as fraquezas e fatalidades são resultados de suas escolhas, e não de Deus. Infelizmente entram em um espiral de reclamações, revoltas, vitimização - sempre colocando a culpa em fatores externos e nos outros e nunca buscando modificar o padrão de consciência.


O ser é responsável pelas suas escolhas e tem responsabilidade pelas consequências dos seus atos. Se agir de forma consciente, valorizando a coletividade sendo fraterno e solidário de forma sustentável e pensando globalmente não precisará passar por infortúnios como esses.


Somos os causadores das nossas próprias tragédias, mas custamos a admitir essa fática verdade, insistimos em olhar o mundo ao nosso redor como causador de todos os males que nos atingem. O orgulho vem do egoísmo, do hábito e da atitude de pessoas que colocam seus interesses, desejos, opiniões e necessidades em primeiro lugar. Vivendo em uma psicosfera de ilusão, não percebendo que nada é fixo ou permanente, e que estamos todos interligados.


O ser humano orgulhoso não tem consciência da sua imaturidade. É necessário sair do egoísmo e perceber que o importante é humanizar a vida e as relações e que a transformação se inicia na individualidade até atingir a coletividade. Toda dificuldade existe para reorientar caminhos de mudanças de perspectivas.


Tudo tem um motivo para ser e acontecer, não necessitamos aprender pela dor, Deus não é punitivo e não nos castiga. Temos muitas oportunidades de aprendizado e é nossa escolha buscar a luz ou a sombra. Todos temos condições de modificar os rumos da nossa existência.


As fatalidades acontecem quando estamos acomodados e são frutos de nossas escolhas individuais e coletivamente; não são castigos divinos. Estamos todos interligados e vivemos coletivamente para crescermos moralmente, a vida está estruturada no princípio da solidariedade. Ninguém vive sem depender de outras pessoas; o maior exemplo está no início e no fim de nossa vida que dependemos de cuidados para gerir e orientar a própria vida.


Precisamos evoluir de forma consciente e compreendermos que as nossas escolhas podem contribuir para um mundo melhor. A humanidade sofre as consequências de todo o mal que vem plantando. E o conhecimento da Doutrina Espírita traz a consciência de quem somos e do que estamos fazendo.


É necessário despertar a consciência para a nossa responsabilidade na contribuição do progresso planetário, mudar as atitudes, tratar o planeta com respeito e sustentabilidade, construir novos paradigmas para termos um mundo equilibrado e com menor probabilidade de desastres naturais. A mudança social que queremos passa pela nossa mudança interior. As escolhas são livres, mas a colheita é obrigatória.


Conforme nos elucida Evelyn Freire de Carvalho no livro A morada dos espíritos e suas leis: “Mesmo