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Motivos pelos quais os Centros Espíritas não atraem jovens



Outro dia, ouvindo um podcast do queridíssimo Haroldo Dutra Dias no Portal Ser, um convidado muito especial chamado Enrique Baldovino, disse algo curioso num bate-papo sobre a Revista Espírita e detalhes da vida de Allan Kardec: a França descuidou da juventude.


Por um lado, é triste saber que não há tantos espíritas na terra kardequiana atualmente, por outro, a gente bem sabe que o Brasil é o coração do mundo, pátria do Evangelho contendo a maior quantidade de adeptos do Espiritismo do mundo!


E isso é bom, sabe por quê? Há inúmeros jovens espalhados por aí com interesses, pontos de vista e valores com o potencial de mudar (não só o Brasil) mas o mundo!


Então, o que diferencia um centro espírita que atrai jovens enquanto outros os repele? Há muitos fatores, mas venho aqui destacar 4 que eu acredito que vale uma reflexão:


1. Forte resistência à mudança:


Seres humanos em geral têm dificuldade em mudar comportamentos, né? Entretanto, as gerações anteriores (Geração X e Baby Boomers), têm uma relação ainda maior com tradições por vivenciarem e pensarem de uma forma diferente dos jovens de hoje.


Por isso que muitos da geração atual (Millennials e Geração Z), não entendem os centros espíritas que se recusam a mudar uma aula, atividade ou mesmo permitir que um jovem aplique uma palestra. Frases como “é assim que a gente sempre fez” é um balde de água fria, porque os jovens têm disposição para realizar mudanças e propor inovações. A geração atual entende isso e muitas vezes são impedidos de realizar essas mudanças.


Isto está certo? Talvez. Talvez não. Mas é uma realidade.


2.Simplicidade é diferente de mediocridade:


Palestra pública sem música ou uma apresentação artística? Centro espírita sem um perfil aberto com uma presença digital bacana nas mídias sociais? Jovens da geração atual não aceitam mediocridade. Eles acreditam que podem (e vão) mudar o mundo. Bom ou ruim, eles têm um forte desejo pela excelência.


Pode soar estranho para as gerações anteriores, mas os jovens das gerações atuais, em sua grande maioria, não têm medo de falhar. E eles acreditam que os centros espíritas devem ter uma mentalidade parecida.


De alguma forma eles entendem - especialmente os jovens que já atuam no movimento espírita organizando eventos, promovendo estudos, gerenciando uma mocidade e etc - que eles trabalham para Deus e que isso vai além de suas habilidades. Por isso a mediocridade não se encaixa nesses planos.


3. A transparência e autenticidade são essenciais:


Apesar de haver dificuldade em lidar com as vicissitudes da vida, as novas gerações valorizam transparência e autenticidade. Especialmente por estarmos na era dos influenciadores, aqueles que têm voz ativa são os que demonstram ser “gente como a gente”.


Se o seu centro espírita retrata uma mentalidade "mais evoluído do que você" ou “sou prioridade porque tenho mais idade do que você” e a maioria dos argumentos deixam todos se sentindo como pessoas culpadas e erradas, seu centro espírita será em grande parte desprovido da próxima geração. Por quê?


Porque as novas gerações sabem que os dirigentes e lideranças espíritas não estão em sua posição porque estão ausentes da lei de causa e efeito, provas, expiações ou fracassos. Jovens espíritas já presenciaram preconceitos e testemunharam muitos casos de falhas morais da liderança para sua própria mocidade… por isso jovens não estão procurando pessoas perfeitas.


Jovens estão procurando por pessoas reais e honestas sobre suas próprias dificuldades para inspirá-las verdadeiramente.


4. Propósito de união e não de separação:


Nada frustra mais os jovens das novas gerações, do que um centro espírita que não abraça diferentes grupos e temas socioculturais.


Centros espíritas que valorizam a união racial, orientação sexual, grupos socioeconômicos diferentes, acredite: atrairão os jovens. Por quê? O Evangelho é mais plenamente refletido quando todos esses grupos são reunidos. Jovens espíritas querem ir longe e querem que sua vida tenha significado no coletivo. Em suas mentes, isso não é possível sem uma comunidade profunda, autêntica e centrada nos valores de Jesus.


Como uma jovem nascida na década de 90, devo dizer: concordo em gênero, número e grau!


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