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O Que Fazer com os Pertences dos Desencarnados?


Lívia Couto


"Não te prendas ao passado material, mas sim às lições e virtudes que ele deixou em teu coração" (André Luiz).

 

Enfrentar a perda de um ente querido é um desafio emocional de grande magnitude. Desde o momento em que se recebe a notícia até os preparativos para o velório, uma série de decisões difíceis se apresentam, incluindo o que fazer com os pertences deixados pela pessoa que partiu. Na Doutrina Espírita, compreende-se que o processo de luto é uma jornada íntima e singular para cada indivíduo. Allan Kardec (2022), destaca a importância de respeitar o tempo necessário para lidar com a dor da perda, enfatizando que não há uma urgência imposta para resolver questões práticas, como, por exemplo, a destinação dos pertences do falecido.

 

Ainda através da visão espírita destaca-se a relevância do desapego material e da valoração das experiências espirituais sobre os bens materiais. Na obra psicografada por Chico Xavier, “Nosso Lar” (1992), André Luiz enfatiza que a verdadeira riqueza reside nas virtudes e aprendizados acumulados ao longo da existência, não nos bens terrenos deixados para trás. Assim, na perspectiva do Espiritismo, a decisão sobre os pertences do falecido deve ser guiada pela sensibilidade, respeito e amor. Honrar a memória e o legado espiritual daquele que partiu é essencial, por isso, deve-se buscar um equilíbrio entre as necessidades práticas e o respeito ao processo de luto de todos os envolvidos. Logo, não se pode impor um prazo para essas decisões, já que elas devem ocorrer de forma natural, guiadas pelo amor ao próximo e pelo respeito mútuo.

 

Nesse sentido, a questão dos pertences dos desencarnados deve ser abordada com sensibilidade e compreensão dos valores espirituais envolvidos. Segundo os ensinamentos de Allan Kardec (2004), é fundamental compreender que a morte não representa o fim, mas sim uma transição para outra fase da existência. Dessa forma, os pertences materiais deixados pelos que partiram não devem ser vistos como simples objetos, mas sim como símbolos de uma jornada terrena que chegou ao seu término.

 

Para os Espíritas, o destino dos pertences dos desencarnados depende do contexto e das circunstâncias individuais de cada caso. De acordo com Chico Xavier (2022), “os objetos dos que se foram devem ser tratados com amor e respeito, pois refletem a história e as experiências daqueles que já não estão entre nós”. Por isso, ressalta-se a importância de lidar com os pertences dos desencarnados com cuidado e consideração, honrando a memória e o legado deixado por eles.

 

Na maioria das ocasiões, os pertences materiais podem ser legados aos familiares e amigos, servindo como lembranças tangíveis do vínculo afetivo compartilhado. No entanto, é crucial não atribuir um valor excessivo aos objetos materiais, lembrando-se sempre de que a verdadeira riqueza reside nas experiências, nos aprendizados e nas virtudes cultivadas ao longo da vida. Assim, uma dica é organizar uma caixa especial para guardar apenas itens de valor sentimental para você, pois, sempre que sentir vontade, poderá revisitar memórias felizes com o ente querido. Pode-se incluir fotos, uma peça de roupa, livros, ou seja, o que considerar necessário para evocar lembranças significativas. Sabemos que todo esse processo pode ser doloroso, mas é importante enfrentá-lo com coragem e positividade. Lembre-se de que a vida continua, e é através dessas lembranças que você materializará o vínculo com aqueles que ama.


Outra dica valiosa é considerar a doação da maior parte dos bens materiais, como roupas, sapatos, livros, objetos de casa, entre outros. Essa atitude não apenas libera espaço físico, mas também possibilita que esses itens sejam úteis para outras pessoas que deles necessitam. Ao praticar a caridade dessa forma, estamos seguindo um princípio essencial da Doutrina Espírita, que preconiza a solidariedade e o auxílio mútuo como formas de expressar amor ao próximo. Allan Kardec (2022), nos ensina que, mais do que a posse material, o que realmente perdura são as virtudes e os valores espirituais que cada indivíduo carrega consigo.

 

Portanto, é essencial que aqueles que permanecem busquem cultivar a gratidão e a serenidade diante da partida dos entes queridos, lembrando-se sempre de que a vida continua no Plano Espiritual. Ao compartilhar os pertences materiais com aqueles que deles necessitam, não apenas estamos honrando a memória do ser querido, mas também estamos praticando a caridade e estendendo a mão amiga para aqueles que estão em necessidade, o que reflete nossa compreensão espírita da vida como uma jornada de crescimento espiritual e evolução.

 

Nesse contexto, ressaltamos a caridade como um dos pilares fundamentais para a evolução espiritual. Allan Kardec (2023, p. 188) nos ensina que “fora da caridade não há salvação”, destacando a importância desse princípio como caminho para a elevação moral e espiritual, enfatizando que todas as práticas e estudos espíritas devem estar embasados no amor ao próximo e na disposição em ajudar quem necessita. Uma das mensagens mais lembradas de Chico Xavier (2022) é a ideia de que “tudo que está sobrando na nossa casa, está fazendo falta para alguém”. Essa premissa ressalta a importância da caridade, assim, ao praticar o bem ao outro, estamos também beneficiando a nós mesmos, num ciclo de solidariedade e proporcionando nosso crescimento espiritual.

 

É importante enfatizar que a caridade vai muito além da assistência material; ela abrange o amor incondicional, a compaixão e o compromisso com o bem-estar dos outros. No entanto, ao considerarmos a questão dos pertences dos desencarnados, ressalta-se a relevância da doação como um meio de proporcionar ajuda, visando aliviar o sofrimento dos menos favorecidos por meio da distribuição de bens materiais. Essa prática não apenas oferece suporte tangível, mas também expressa a solidariedade e o cuidado para com o próximo, valores fundamentais na Doutrina Espírita.

 

Por isso, não hesite em praticar a doação! Ao ajudar aqueles que enfrentam necessidades, você estará contribuindo para o seu próprio bem-estar e sua evolução espiritual. Quanto aos pertences do ente querido que desencarnou, não existe um prazo rígido para lidar com eles; alguns podem optar por aguardar uma semana, outros um mês, mas é essencial realizar essa ação em algum momento. Lidar com os pertences do falecido é também um passo importante no processo de superação da perda, permitindo que se avance no caminho da aceitação e da adaptação à nova realidade.

 

Ao enfrentar esse desafio com amor e compreensão, estamos honrando não apenas a memória daqueles que partiram, mas também seguindo os ensinamentos da Doutrina Espírita, que nos convida a praticar a caridade, a solidariedade e a compaixão em todas as circunstâncias da vida. Que essa atitude de amor e desapego possa trazer consolo e crescimento para todos os envolvidos. Que a paz esteja conosco, que aprendamos a lutar, esperar, perseverar e doar.

 

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Referências:

 

CHICO PARA SEMPRE. Direção: Wagner de Assis. Produção Documentários Cinética. Ancine: Agência Nacional do Cinema, Brasília, 2022. Disponível na Star+. (120 min.).

 

KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes, RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Campos dos Goytacazes: RJ: Editora Letra Espírita, 2023.

 

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos. Trad. Evandro Bezerra. Brasília: FEB, 2004.

 

XAVIER, F. C. Nosso Lar. Pelo Espírito André Luiz. 45. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1992.



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