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Autismo - Um Olhar Espírita


Isabelle Oliveira


Atualmente, 1 a cada 160 crianças tem algum tipo de TEA – Transtorno do Espectro Autista. Nos anos 2000, a estimativa era de que 2 ou 3 crianças a cada 10 mil tivessem TEA, sempre afetando mais meninos do que meninas. Contudo, isso não significa que o número de pessoas com autismo aumentou com o passar do tempo, apenas que a ciência avançou e novos estudos na área puderam colaborar para a identificação de casos de forma substancial.


O autismo é considerado um espectro por apresentar quadros diversos e em graduações diferentes em cada caso, indo de mais leves a mais graves, ou seja, não há um padrão de sintomas para todos os pacientes, os quais podem ter todos os sintomas ou apenas alguns. Estes podem a aparecer nos primeiros meses de vida, tendendo a persistir na adolescência e idade adulta.


Em linhas gerais, quem é diagnosticado com TEA apresenta distúrbios no desenvolvimento neurológico, afetando a comunicação e a socialização, além de mostrar um padrão de comportamento que se repete e se limita a assuntos e coisas de seu interesse. Considerado uma síndrome, por isso sem cura, clinicamente o TEA pode ser classificado em três grupos, que são:


· Autismo Clássico: Aqui encontramos os casos mais graves. São crianças que não conseguem estabelecer contato visual, não usam a linguagem falada para se comunicar, não conseguem interagir socialmente, tendem a ter um comportamento mais isolado com movimentos repetitivos e aleatórios, com deficiência mental bastante acentuada, entendem tudo de forma literal, por isso não identificam metáforas e não conseguem interpretar ironias, piadas e etc. Requer cuidado mais intenso, com uma equipe multidisciplinar para conduzir seu tratamento, tanto para o melhor desenvolvimento do paciente, quanto para dar suporte aos cuidadores/família;

· Autismo de Alto Desempenho ou Síndrome de Asperger: Possui as mesmas dificuldades de outros autistas, porém em grau bastante reduzido. Conseguem se comunicar verbalmente e são extremamente inteligentes em áreas de seu interesse, verdadeiros gênios. Ao passo que se seu nível de dificuldade de interação for menor, melhor será sua adaptação na sociedade;

· Distúrbio Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação (DGD-SOE): Tem dificuldade de comunicação e socialização; no entanto, não tem sintomas suficientes para se enquadrar em nenhuma das categorias, o que dificulta ainda mais o diagnóstico.


A ciência ainda não conseguiu descobrir ao certo o que causa o TEA, mas admite-se que haja fatores diversos que podem ser genéticos, ambientais e biológicos. É importante salientar que nenhuma vacina provoca o TEA, como falsos estudos tentaram apontar.


É fato que estamos na Terra com o objetivo específico da evolução do ser. Reencarnamos como precisamos para conseguir tal intento. Dessa forma também ocorre com nossos irmãos autistas e, os que são classificados como neurotípicos – pessoas com composição cerebral típica ou não autista –, têm a função de acolhê-los com amor, dando todo apoio necessário para sua evolução física e espiritual. Contudo, isso não significa que os neurotípicos sejam Espíritos mais evoluídos que os autistas, apenas que irão aprender com eles o amor por um novo prisma.


É possível observar que, no corpo físico, cada caso é um caso. Não existem dois autistas absolutamente iguais em sintomas e comportamentos e, da mesma forma, em condições espirituais e no que se pode conceber para que um Espirito reencarne com TEA.

Comumente, um Espírito reencarna com TEA para fazer uma reestruturação mental devido a comportamentos inadequados que praticaram em existências anteriores, sobretudo no que diz respeito às relações humanas, tendo praticado um olhar para com o próximo desprovido de empatia e carregado de orgulho, com traços de frieza. Não se trata de uma regra mas pode acontecer em alguns casos.


É possível também que, nos casos clássicos, a imersão do autista em seu próprio mundo, alheio ao seu mundo circundante, seja uma forma que o Espírito encontrou para fugir da realidade das ações que tenha praticado e queira simplesmente esquecer, fugir, tentando manter-se em um estado sonambúlico. Há casos em que se dá por uma reencarnação compulsória – quando o Espírito reencarna sem desejar –; assim, o Espírito escolhe não interagir, e quanto maior for a distância social, melhor. O corpo para ele é uma prisão e a existência é incômoda, assim prefere ficar ‘‘desligado’’ do mundo. É sempre importante que os cuidadores se esforcem para proporcionar estímulos que ajudem os autistas a se desenvolverem, mas, nesses casos em especial, é fundamental que se esforcem ainda mais para trazer esse Espírito para o convívio social, mesmo que seja apenas com familiares e amigos mais íntimos, sendo essencial no processo evolutivo.


São poucos os casos de autistas com missões específicas, mas existem e vieram para auxiliar a ciência em grandes avanços e pesquisas. Além disso, alguns também vêm para contribuir com seu DNA para futuras gerações, pois essas mutações genéticas serão benéficas para a humanidade a longo prazo. Esses autistas conseguem se estabelecer socialmente com mais facilidade.


O Espírito experimenta as limitações que o corpo físico oferece dentro do espectro autista e, quando regressa à pátria espiritual, ao se libertar do corpo físico, volta a ter suas faculdades, porém, com nova vivência e reestruturação mental. Deus é soberanamente bom e justo, sempre nos dá a oportunidade de melhorarmos, principalmente através da singularidade do amor.

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REFERÊNCIAS

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CARVALHO, Evelyn Freire de. A Imortalidade da Alma. 1.ed. Campos dos Goytacazes, RJ: Editora Letra Espírita, 2020.

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KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB, 2009.

LUCENA, Gustavo Henrique. Autismo e Espiritismo – Acolhimento e terapêutica mentomagnética.1 ed. Matão, SP: Casa Editora O Clarim, 2021.

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XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília, DF: FEB, 2013.

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