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Distorções do Espírito: Uma Abordagem Espírita sobre Distúrbios Psíquicos


Sthephannie Almeida

 

Na perspectiva espírita, a compreensão dos distúrbios psíquicos transcende a visão estritamente materialista, adentrando os domínios espirituais da existência. De acordo com a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, estes distúrbios são interpretados não apenas como manifestações clínicas, mas como expressões de desequilíbrios que remontam as experiências e escolhas do Espírito ao longo de múltiplas encarnações. Nesta abordagem, a vida é percebida como uma jornada evolutiva, na qual cada desafio mental ou emocional pode ser encarado como uma oportunidade de crescimento espiritual.

 

Desta forma, a visão espírita busca não apenas tratar os sintomas, mas promover uma compreensão profunda das raízes espirituais dos distúrbios, visando à cura integral. Ao explorar esta perspectiva, torna-se evidente que a abordagem espírita destaca a importância do autoconhecimento, da reforma íntima e do desenvolvimento moral como componentes cruciais para superar os desequilíbrios psíquicos. A Espiritualidade, então, é vista como um caminho de autotransformação, no qual o entendimento das Leis Divinas e a prática de valores éticos desempenham papel central na busca pela harmonia interior.

 

A dor, por consequência, é fenômeno natural na trajetória ascensional em que todos se encontram colocados. Com a função específica de despertar a consciência humana adormecida, é o estímulo para a busca da harmonia e da alegria de viver que deixaram de existir no comportamento humano. Preocupados com o imediatismo, os homens e as mulheres deixam-se embair pelos fogos de artifício do prazer momentâneo, investindo todos os bens de que dispõem para fruí-lo, inevitavelmente comprometendo-se com os prejuízos morais que passarão a atormentá-los depois. (FRANCO, 2002 p. 254).

 

Na ótica espírita, distúrbios psíquicos estão intrinsecamente ligados à concepção de que a vida é uma série de experiências destinadas ao aprimoramento espiritual. Entende-se que, ao reencarnar, o Espírito traz consigo um conjunto de experiências e aprendizados adquiridos ao longo de suas existências passadas. Assim, os distúrbios psíquicos podem ser vistos como desafios necessários para o desenvolvimento Espiritual, reflexos de ações e escolhas pregressas que demandam compreensão, enfrentamento e transformação.

 

A obsessão apresenta caracteres diversos, que é preciso distinguir e que resultam do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que produz. A palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação:

 

238. Dá-se a obsessão simples quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, se imiscui, a seu mau grado, nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e se apresenta em lugar dos que são evocados. Ninguém está obsidiado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso. O melhor médium se acha exposto a isso, sobretudo, no começo, quando ainda lhe falta a experiência necessária, do mesmo modo que, entre nós homens, os mais honestos podem ser enganados por velhacos. Pode-se, pois, ser enganado, sem estar obsidiado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito, do qual não consegue desembaraçar-se a pessoa sobre quem ele atua. (KARDEC, 2023; p.237/238).


A Lei de Causa e Efeito, também conhecida como Lei de Ação e Reação, é um pilar fundamental na explicação espírita sobre distúrbios psíquicos. Segundo essa Lei, tudo o que o Espírito semeia, seja em pensamentos, palavras ou ações, colherá como consequência em sua jornada evolutiva. Portanto, um distúrbio psíquico pode ser interpretado como a resposta espiritual a desequilíbrios morais ou atitudes prejudiciais praticadas em encarnações anteriores, representando uma oportunidade de resgate e purificação.

 

A reencarnação é outra peça-chave nesse entendimento. Acredita-se que cada encarnação proporciona um contexto específico para que o Espírito vivencie novas situações e aprenda lições necessárias ao seu progresso. Assim, os distúrbios psíquicos podem ser considerados parte do processo de educação espiritual, onde as dificuldades enfrentadas são vistas como oportunidades para aprimoramento moral e superação de imperfeições. A prática mediúnica, dentro da Doutrina Espírita, também desempenha um papel significativo no tratamento dos distúrbios psíquicos.

 

A mediunidade é entendida como a faculdade de interação entre o Plano Espiritual e o material, e médiuns são indivíduos que têm a capacidade de receber influências e mensagens de Espíritos. No contexto terapêutico, a mediunidade pode ser utilizada para acessar informações sobre a origem espiritual dos distúrbios, permitindo um entendimento mais profundo e, por consequência, uma abordagem terapêutica mais direcionada.

 

Por outro lado, a Neurociência aborda os distúrbios psíquicos sob uma perspectiva biológica. Causas como desequilíbrios químicos no cérebro, predisposição genética, trauma e fatores ambientais são frequentemente citados.

Pesquisas indicam que alterações nas vias neurais e na liberação de neurotransmissores podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos mentais.

 

As abordagens médicas envolvem tratamentos farmacológicos, terapias cognitivo-comportamentais, psicoterapias e intervenções multidisciplinares. A Neurociência destaca a importância de compreender os mecanismos biológicos subjacentes para desenvolver intervenções mais eficazes.

 

Cuidados integrativos podem envolver tanto práticas médicas quanto espirituais. Uma abordagem holística, considerando as dimensões física, mental e espiritual do ser humano, pode proporcionar um tratamento mais abrangente. Colaboração entre profissionais de saúde mental, espiritualistas e familiares pode ser essencial para apoiar o indivíduo em seu processo de cura.

 

Em síntese, a visão espírita enfatiza a dimensão espiritual dos distúrbios psíquicos, são interpretados como desafios inerentes à jornada evolutiva do espírito, sendo a busca pela melhoria moral e espiritual a via principal para superar tais adversidades, a Neurociência se concentra em fatores biológicos. Uma abordagem integrativa, combinando conhecimentos médicos e espirituais, pode oferecer uma compreensão mais completa dos distúrbios psíquicos e promover um cuidado mais eficaz e compassivo para aqueles que enfrentam esses desafios.

 

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Referências

 

1- FRANCO, Divaldo Pereira Franco. F895 Transtornos psiquiátricos. / pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda; [psicografado por] Divaldo Pereira Franco. Salvador; Ba: Livraria Espírita Alvorada Editora, 2012. 336 p.

 

2- KARDEC, Allan, 1804-1869 O livro dos médiuns / Allan Kardec; tradução Guillon Ribeiro. -- 1. ed. -- Campos dos Goytacazes, RJ: Letra Espírita, 2023.



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